Não é crise existencial, é algo mais antigo tentando ser ouvido
Você chama de "crise existencial", mas o que está por trás disso, na maioria das vezes, tem uma explicação bem mais simples do que parece e não é sobre filosofia de vida, é sobre algo que ficou pendente há muito tempo.
Tania R Sanchess
7/9/20264 min read
O que costumamos chamar de crise existencial
Existe um momento na vida em que as certezas somem e você se pergunta o que está fazendo com a própria vida, que caminho faz sentido seguir, o que as pessoas realmente pensam de você. A insegurança toma o lugar da clareza, e o desconforto vira companhia constante.
Chamamos isso de crise existencial, mas esse nome complica algo que, na verdade, é bem mais simples de entender. Ele faz parecer que você está diante de uma grande questão filosófica sobre o sentido da vida. Na prática, o que costuma estar acontecendo é bem mais direto: uma parte sua que ficou esperando atenção por muito tempo, finalmente, não aguentou mais esperar.
Os sinais que aparecem antes do nome
Antes de alguém dizer "estou em crise existencial", o corpo e a mente já vinham dando outros avisos: cansaço que não passa nem depois de dormir bem, dificuldade de sentir prazer em coisas que antes eram boas, uma sensação de vazio que aparece mesmo quando, de fora, tudo parece estar no lugar certo.
Também aparece a dúvida o tempo todo, até nas decisões pequenas. A irritação sem motivo claro, a sensação de estar cumprindo um papel em vez de vivendo a própria vida — muita gente descreve isso como estar "no automático", indo de compromisso em compromisso, mas desconectada de si mesma. Esses sinais não vêm do nada. Eles aparecem quando a pessoa chega no limite de segurar, sozinha, um jeito de viver que aprendeu para agradar, para dar conta de tudo e para nunca decepcionar ninguém, mas que nunca teve espaço para escutar o que ela mesma sentia ou precisava.
A origem, contada de um jeito simples
Quando somos crianças, precisamos que certas coisas estejam garantidas: que alguém nos ame do jeito que somos, que a gente se sinta seguro, que tenha liberdade para ser quem é e para dizer o que sente. Quando alguma dessas coisas não acontece do jeito que precisávamos, a criança aprende, sem perceber, um jeito de se proteger. E esse jeito de se proteger vira um hábito que carregamos até a vida adulta.
Isso pode aparecer de formas diferentes. Tem gente que aprendeu a se apagar, para não incomodar ninguém e evitar ser rejeitada; tem quem aprendeu a estar sempre disponível, com medo de ser deixada de lado; tem quem aprendeu a controlar tudo ao redor, para nunca mais ser pega de surpresa; tem quem aprendeu que só valia a pena se fizesse tudo perfeito. Cada uma dessas formas de se proteger nasceu de algo que faltou lá atrás, e continua guiando decisões, relacionamentos e limites até hoje, sem que a pessoa perceba.
Esse jeito de se proteger costuma ficar em segundo plano por décadas. A pessoa segue estudando, trabalhando, cuidando da família, entregando resultado sem perceber que está sustentando tudo isso em cima de algo que nunca foi realmente resolvido. Até que, em algum momento, geralmente depois de algo marcante, uma perda, o fim de um ciclo importante, uma virada de vida, essa parte que ficou esperando não aceita mais ficar quieta. E é esse pedido represado, e não uma dúvida sobre o sentido da vida, que costuma estar por trás do que chamamos de crise existencial.
Por que refletir sozinha nem sempre resolve
Buscar sentido, ler sobre propósito, tentar entender racionalmente o que está acontecendo, ajuda a colocar em palavras o desconforto, mas raramente resolve a origem dele. Isso porque o que está incomodando não é um pensamento, é um padrão que se formou faz muito tempo e um padrão assim não muda só porque a gente entende ele com a cabeça. Ele muda quando é identificado com precisão e trabalhado na raiz.
O que muda quando a origem é encontrada
Quando esse padrão é localizado com clareza, o que ficou faltando, o que ele fez a pessoa acreditar sobre si mesma, como ele continua aparecendo hoje nas decisões e relações, o que antes parecia uma crise sem explicação passa a fazer sentido. E, a partir desse entendimento, dá para reconstruir a base que sustenta as escolhas, os limites e a forma como você se relaciona consigo mesma. É esse o trabalho do PIPE — Protocolo de Identificação do Padrão Emocional: encontrar com precisão o que ficou sem resposta lá atrás, para que a mudança aconteça de verdade, e não só alivie o desconforto por um tempo.
Como funciona o meu trabalho
Atendo adultos que reconhecem a repetição nos seus relacionamentos e querem entender o que está na origem, não apenas aprender a lidar melhor com os sintomas. Utilizo o PIPE — Protocolo de Identificação de Padrão Emocional, combinado com Terapia Breve Sistêmica, em um processo estruturado de 12 encontros. O ponto de entrada é a sessão de diagnóstico — uma conversa inicial onde identificamos o padrão envolvido e se o meu método é o caminho certo para você.
Sem compromisso imediato. Sem pressão. Com clareza.
Se você se reconheceu neste artigo, o próximo passo é simples:
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Tania R Sanchess é psicóloga clínica com 33 anos de experiência, especialista em padrões emocionais e criadora do PIPE — Protocolo de Identificação de Padrão Emocional.
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